Toda vez que eu viajava Pela estrada de Ouro Fino De longe eu avistava A figura de um menino
Que corria abrir a porteira Depois vinha me pedindo Toque o berrante seu moço Que é pra mim ficar ouvindo
Quando a boiada passava Que a poeira ia baixando Eu jogava uma moeda Ele saía pulando
Obrigado boiadeiro Que Deus vá lhe acompanhando Pra aquele sertão afora Meu berrante ia tocando
No caminho desta vida Muito espinho eu encontrei Mas nenhum calou mais fundo Do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta Qualquer coisa eu cismei Vendo a porteira fechada O menino não avistei
Apeei do meu cavalo Num ranchinho beira chão Vi uma mulher chorando Quis saber qual a razão
Boiadeiro veio tarde Veja a cruz do estradão Quem matou o meu filhinho Foi um boi sem coração
Lá pras bandas de Ouro Fino Levando gado selvagem Quando passo uma porteira Até vejo a sua imagem
O seu rangido tão triste Mais parece uma mensagem Daquele rosto trigueiro Desejando boa viagem
A cruzinha do estradão Do pensamento não sai Eu fiz um juramento Que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure Que precise ir atrás Neste pedaço de chão Berrante eu não toco mais
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
Compositores: Luiz Raymundo (Luizinho) (UBC), Teddy Vieira Azevedo (Teddy Vieira) (UBC)Editor: Universal Music Publishing Mgb Brasil Ltda (UBC)Publicado em 1973ECAD verificado obra #1607 e fonograma #51318 em 03/Abr/2024 com dados da UBEM