Sexta feira dia treze É um dia de azá O que aconteceu comigo Eu agora vô contá
Entrei num sobrado véio No meio da escuridão Essa casa era afamada Diz que tinha assombração
Uma voz falou pra mim Ói que eu vou caí daqui Eu então me encorajei E falei, pode caí
Escuitei logo um baruio De uma coisa que caiu E apesar de ser valente Eu senti um calafrio
Primeiro caiu as perna E despois caiu os braço Sempre que dizia, eu caio Já caía mais um pedaço
E os pedaço ia juntando Formando um corpo di pé Por fim caiu a cabeça E formou-se o lucifér
Quis gritá fartô a fala E o meu corpo estremeceu Quando arregalei os zóio Minha vista escureceu
E quando a vista vortô Eu tava numa floresta Adonde as assombração Se arreuniram pra uma festa
Tinha um bruto bode preto Bem assim na minha frente O lobisome limpava Fiapo de cuêro dos dente
Formou-se uma ventania Com foia seca e cum pó Chegou saci-pererê Pulando numa perna só
Saci chegou assobiando Muito contente da vida Pois do rabo do cavalo Fez uma trança comprida
Veio a mula sem cabeça E já quis me coiceá A porca e os sete leitão Já chegou pra me fuçá
Eu vi tanta coisarada Que quase louco fiquei Mas porém pra sorte minha Caí da cama e acordei
Sexta feita dia treze Não tem sorte nem azá Azá é comê e dormi Com a barriga pro á
(Pedro Paulo Mariano - Santa Maria da Serra-SP)
Compositor: Raul Torres e Capitão FurtadoPublicado em 2003 (14/Nov) e lançado em 2003 (01/Dez)ECAD verificado fonograma #622589 em 01/Abr/2024 com dados da UBEM