Miguel - Wildheart

Os belos trabalhos recentes de D'angelo e Kendrick Lamar são dois exemplos de um momento que será muito celebrado no futuro.
A esse grupo podemos incluir o terceiro trabalho de Miguel, um angeleno de 29 anos filho de um pai descendente de mexicanos e mãe afro-americana.

O fato é que ele ajuda a colocar o R&B moderno em um patamar mais elevado. O álbum já é um enorme sucesso de crítica e seria bom também se o grande público o abraçasse.
O disco é especialmente indicado para fãs de música pop inovadora, Prince, R&B contemporâneo, e para quem quer ouvir algo que fuja das fórmulas da moderna música pop radiofônica.
Neil Young - The Monsanto Years

Claro que essa opção por lançar discos e mais discos também tem os seus problemas. Obviamente tivemos alguns menores ou esquecíveis no caminho, enquanto outros trabalhos dignos acabaram não recebendo a devida atenção mesmo de seu público mais fiel.
Dito isso, será uma pena se "The Monsanto Years" não atingir uma boa audiência e os críticos, já que ele soa como um dos melhores discos de Young em vários anos - o que o torna recomendável especialmente para aqueles fãs que pararam de acompanhá-lo com afinco.
O disco marca a estreia de mais uma nova banda acompanhante do cantor. O Promise Of The Real é o grupo de Lukas Nelson, filho de Willie Nelson. Young fez algumas jams com o quarteto (acrescido de Micha Nelson, outro filho de Willie) e, impressionado, decidiu gravar um álbum com os jovens..

Eminentemente elétrico e pesado, apesar de alguns momentos mais doces e acústicos ele é radicalmente diferente dos três últimos discos do canadense - um gravado com orquestra, outro numa cabine de gravação rústica dos anos 50 e o outro com faixas que chegavam quase aos 30 minutos.
O álbum também é abertamente político e de protesto. Como o título já indica, as farpas em sua maioria são dirigidas à Monsanto, a multinacional do agronegócio que tem na biotecnologia (ou seja, a criação de sementes geneticamente modificadas) sua maior fonte de renda.
O discurso de Neil Young é direto, e talvez ingênuo em alguns momentos. Por outro lado, sua raiva, e sinceridade são genuínas - e é óbvio que essa discussão deveria estar mais presente em nossas pautas.
Resta saber agora se existem pessoas dispostas a ouvir os seus apelos, afinal como ele diz em "People Want To Hear About Love", uma das melhores faixas do álbum - "as pessoas querem ouvir canções de amor e não sobre grandes corporações sequestrando todos os seus direitos".
Ouça "A Rock Star Bucks a Coffee Shop" com Neil Young de "The Monsanto Years"
Erasmo Carlos - Meus Lados B

Ainda assim, uma faceta de Erasmo tende a ficar esquecida, ou quase, em suas apresentações: a do compositor que lançou discos interessantíssimos nos anos 70.
Pelo visto, o próprio Erasmo também sentia falta de mostrar esse seu lado. A coisa começou a mudar de figura em 2014, quando, à convite de André Midani, ele fez um show especial no Rio apenas com faixas menos conhecidas de seu repertório. No início deste ano o cantor resolveu retomar a ideia e marcou duas apresentações intimistas em São Paulo que foram filmadas para posterior lançamento.

Temos aqui 22 faixas, sendo que 16 delas foram gravadas entre 1970 e 1976 (ele também cantou duas músicas da época da Jovem Guarda e quatro dos anos 80).
Quem esteve no Tom Jazz no final de janeiro pôde ouvi-lo cantar raridades como "Maria Joana", "Grilos", "Cachaça Mecânica" ou "Meu Mar". Músicas compostas para ele por nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gonzaguinha e Belchior também foram lembradas.
Com a voz em forma e uma banda pra lá de afiada, o resultado final se mostra irretocável e abre caminho para que mais artistas façam trabalhos de resgate semelhante. Agora é esperar que ele faça mais shows com esse repertório. Os fãs da boa música brasileira certamente irão agradecer.
Ouça Erasmo Carlos cantando "Cachaça Mecânica", que está em "Meus Lados B"