Foo Fighters - Sonic Highways

O fato é que Dave Grohl conseguiu se livrar de forma exemplar da sombra de seu antigo grupo, e, se duvidar, ele já deve ter fãs que sequer sabem de seu passado. A maior diferença entre as duas bandas é que Dave Grohl não tem muitos demônios que precisa botar pra fora em forma de música.
Sendo assim, ele prefere usar seu tempo para se dedicar a projetos bacanas - como o documentário "Sound City" - e a compor canções cheias de ganchos, boas melodias e riffs fortes, como as vistas nesse "Sonic Highways".

Se o tal conceito funciona é difícil dizer, já que no final das contas, tudo aqui soa tipicamente como a banda. Isso não quer dizer que o disco é ruim. Longe disso. Ao optar por lançar um disco enxuto, Grohl, e sua banda, entregaram um trabalho onde não sobrou muito espaço para enrolação ou experimentos diversos.

O disco também conta com um convidado especial em cada uma de suas músicas. A lista é bem eclética e vai do produtor Tony Visconti (David Bowie) à clássica banda de hardcore Bad Brains, passando por Rick Nielsen do Cheap Trick e o bluesman Gary Clark Jr.
"Sonic Highways" certamente irá agradar quem gosta muito do grupo, e, ao menos em partes, o fã casual. Já quem não consegue engolir o som da banda, talvez não vá ser convencido do contrário - se bem que mesmo esses deveriam ouvir "Something From Nothing" ou "Subterranean" e, talvez, mudar de opinião.
Ouça "Something From Nothing" com os Foo Fighters presente no álbum Sonic Highways
The New Basement Tapes - Lost on The River

Foi quando, para sua "sorte", ele sofreu um acidente de motocicleta, do qual até hoje não se sabe sua real dimensão.
Ao que se consta, o músico não sofreu nada de muito sério, mas a queda serviu para que ele pudesse ter uma justificativa para sumir por uns tempos - e nessa alimentar todo tipo de boato à respeito de sua real situação.

Foram músicas novas, cantigas tradicionais, números humorísticos e experimentos diversos. Tudo captado de forma rústica.
Obviamente o cantor não tinha a menor intenção de lançar esse material no mercado. Mas algumas dessas canções foram prensadas como discos de demonstração para que outros artistas pudessem gravá-las.

Basta dizer que o primeiro disco pirata da história teve como base algumas dessas gravações que passaram a ser conhecidas como as "Basement Tapes" ("Fitas do Porão").
Uma fração desse material foi lançado em 1975 em um álbum duplo, mas muita gente reclamou da decisão do produtor Robbie Robertson de fazer retoques em estúdio em algumas das fitas, o que, para esses fãs, traiu o espírito original das gravações.
Só agora, em 2014, todas as gravações aproveitáveis gravadas naquele mítico verão de 1967 foram lançadas em um pacote chamado "The Basement Tapes Complete" que em sua versão deluxe - e bem cara - tem seis CDs e mais de 100 músicas.
Como se isso não fosse o bastante para deixar os fãs animados, foram descobertas também uma série de letras escritas por Dylan na época e não musicadas. Chegamos então ao disco que destacamos nesse especial.

O resultado final é muito interessante. A primeira coisa que chama a atenção no disco é notar que as canções têm a cara de seus autores, ou sejas, eles não tentaram criar melodias que soam como as de Dylan, ainda que a influência do compositor seja mais do que óbvia no trabalho de todos eles.
O disco foi gravado em um clima descontraído, mas em um estúdio profissional e com equipamento top de linha. Ou seja, não houve tentativa de se recriar as condições em que as "Basement Tapes" originais foram captadas.
Ao final, o que temos que são 20 faixas (na edição mais completa) que merecem, e muito, a sua audição. Eis aqui mais um sério candidato a entrar em várias listas de melhores discos de 2014.
Ouça "Kansas City" com o The New Basement Tapes do álbum "Lost on The River"
Pink Floyd - The Endless River

É claro que esse não é o disco com que os fãs tanto sonham - um trabalho "tradicional" que reuniria novamente o baixista - e líder da banda em seus anos de maior sucesso - Roger Waters ao guitarristaDavid Gilmour e o baterista Nick Mason - o único presente em todas formações do grupo.
"The Endless River" é quase formado por faixas instrumentais e de música ambiental. A exceção é "Louder Than Words", a única, e bela, canção tradicional do álbum e tem sua gênese no início dos anos 90, já que boa parte desse material surgiu durante as gravações de "The Division Bell" de 1994 - aquele que até aqui era o último disco a levar o nome da banda.

Só agora, 20 anos depois, é que Gilmour decidiu fazer algo com aquelas fitas. Para ajudá-lo na tarefa ele convocou o guitarrista e amigo Phil Manzanera (Roxy Music) e o produtor Flood para trabalhar no material. Também ficou decidido que o disco resultante iria funcionar como um tributo a Wright, até porque a presença do músico no material era fortíssima.
No início do processo, Gilmour se mostrou relutante em mexer nas fitas originais, mas no final ele entendeu que o melhor seria usar aquele material como ponto de partida para a criação de novas faixas.
Divulgação
"The Endless River" se mostra um trabalho bem sucedido dentro do que se propõe. Ainda que em alguns momentos, tenha-se a impressão de que ele está girando em falso, o disco também tem momentos de grande beleza.
A decisão de colocar apenas uma canção no trabalho também deverá causar discussões entre os fãs, já que outras faixas também poderiam ter se tornado músicas "tradicionais" - vide "Anisina". Ou seja, os fãs certamente irão achar muita coisa interessante aqui.
Já para quem não os conhece bem, o melhor talvez seja dar uma checada nos outros discos da banda - especialmente os gravados nos anos 70 - para entender melhor não só esse trabalho, mas a razão para o Pink Floyd ser considerado um dos maiores nomes da história do rock.
Ouça "Louder Than Words" com o Pink Floyd presente no álbum "The Endless River"