Sou rancho beira de estrada feito de leiva e capim, Sou notas de uma esperança na garganta de um clarim, Sou alma de peão de estância cantando dentro de mim.
Sou sobra de muitas guerras, sou pátria na cor dos panos Sou flete que caboasteira de arreios republicanos Sou vento, chuva e mormaço, sou cerne de muitos anos
Sou grito do quero-quero ronda de muitas manhãs Sou fralda de alguma várzea na garganta dos tacãs Sou noite de pirilampo, sou canto triste das rãs.
Sou ringido de cancela na beira do corredor Sou peão repontando a tropa no estalo do arreador, Sou mão que joga e que canta seus trinta e oito de flor.
Sou pregão do quitandeiro vendendo doce e pastel Sou mugido de boi manso, sou relincho, sou tropel Sou sino dos sete povos nas torres de São Miguel.
Sou o velho Uruguai batismo de muita lança e fuzil De longas melenas brancas, ora manso, ora hostil Pedaço de céu tranquiando entre Argentina e Brasil.
Compositor: Telmo de Lima Freitas (SOCINPRO)Publicado em 2006 (10/Out) e lançado em 1999 (17/Jul)ECAD verificado obra #146056 e fonograma #1122119 em 04/Abr/2024 com dados da UBEM