Ser sertão não é só ser mata virgem É ser pedras de barrancos corroídos É ser corpo de um gigante adormecido Que dos velhos ancestrais perdeu a origem Ser sertão é ser lar da natureza Onde flores e animais se agasalham É ser campo, é estender verde toalha Quando a lua para os filhos serve a mesa
É preciso se fazer parte do chão Pra se sentir sertão, sertão
Ser sertão é emprestar seu corpo agreste Para ser retalhado por caminhos Borboletas na barranca do riozinho Quando o céu de azul todo se veste É orquestra de insetos e cascatas É o vento quem balança a cabeleira É o ninho moradia derradeira Da estrela que se perde sobre a mata
É preciso se fazer parte parte do chão Pra se sentir sertão, sertão
Ser sertão é cipó entrelaçando O frondoso tronco velho da paineira É a rolinha a chamada companheira E o gavião a cantar de quando em quando É a onça com seus olhos de campeeira Num mistério silencioso do descanso É o gostoso sussurrar do vento manso Sobre o berço onde dorme a lua cheia
É preciso se fazer parte do chão Pra se sentir sertão, sertão
Compositores: Jose Fortuna (Ze Fortuna) (UBC), Jose Plinio Trasferetti (Paraiso) (UBC)Editores: Fortuna (UBC), Peermusic do Brasil (UBC)Publicado em 1997 e lançado em 1995 (03/Jul)ECAD verificado obra #74871 e fonograma #3093201 em 04/Abr/2024 com dados da UBEM