Eu tinha um companheiro Por nome de Ferreirinha Que lidava com boiada Desde nós dois rapazinho
Fomos buscar um boi bravo No campo do Espraiadinho Era vinte e oito quilômetros Retirado de Pardinho
Nós chegamos no tal campo Cada um seguiu pra um lado Ferreirinha foi num potro Redomão muito cismado
Já era de tardezinha Eu já estava bem cansado Não encontrava o Ferreirinha E nem o tal boi arribado
Naquilo avistei o potro Que vinha vindo assustado Sem arreio e sem ninguém Fui vê o que tinha se dado
Encontrei o Ferreirinha Numa restinga deitado Tinha caído do potro E andou pros campo arrastado
Quando avistei Ferreirinha Meu coração se desfez Eu rolei do meu cavalo Com tamanha rapidez
Chamava ele por nome Chamei duas ou três vezes E notei que estava morto Pela sua palidez
Pra levar meu companheiro Veja o quanto padeci Amarrei ele pro peito E numa árvore suspendi
Cheguei meu cavalo embaixo E na garupa desci Com o cabo do cabresto Amarrei ele ne mim
Saí pela estrada afora Tão triste e tão amolado Era um frio de mês de junho Seu corpo estava gelado
Era mais de meia-noite Quando cheguei no povoado Deixei na porta da igreja E fui chamar o delegado
A morte deste rapaz Mais do que eu ninguém sentiu Deixei a lida de gado Minha inclinação sumiu
Quando lembro esta passagem Franqueza me dá arrepio Parece que a friagem Das costas ainda não saiu
Compositor: Adauto Ezequiel (Carreirinho) (SBACEM)Editor: Irmaos Vitale (SOCINPRO)Publicado em 2005 (13/Ago) e lançado em 2005 (12/Ago)ECAD verificado obra #30737 e fonograma #893270 em 04/Abr/2024 com dados da UBEM