Eu sou da Estação Primeira de Nazaré Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher Moleque Pilintra no Buraco Quente Meu nome é Jesus da Gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado Meu pai carpinteiro desempregado Minha mãe é Maria das Dores Brasil Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira Me encontro no amor que não encontra fronteira Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado Em cordéis e Corcovados Mas será que todo povo entendeu o meu recado? Porque de novo cravejaram o meu corpo Os profetas da intolerância Sem saber que a esperança Brilha mais na escuridão
Favela, pega a visão Não tem futuro sem partilha Nem Messias de arma na mão Favela, pega a visão Eu faço fé na minha gente Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir O desabafo sincopado da cidade Quarei tambor, da cruz fiz esplendor E ressurgi no cordão da liberdade
Mangueira Samba, teu samba é uma reza Pela força que ele tem Mangueira Vão te inventar mil pecados Mas eu estou do seu lado E do lado do Samba também