Vindo de Minas Gerais E seguindo meu destino Atravessei pantanais Pra chegar em Ouro Fino
Estanhei minha boiada A noite vinha caindo Vi uma porteira fechada Que sozinha foi se abrindo
Uma voz falou contente Ó peão seja bem-vindo Toque o berrante seu moço Que é pra mim ficar ouvindo
Eu fiquei impressionado E a coragem foi sumindo A estatura era pequena Representava um menino
Foi clareando toda a estrada E a boiada foi seguindo Repiquei o meu berrante E água dos olhos caindo
Eu joguei uma moeda Ele devolveu sorrindo Eu não quero seu dinheiro É missão que estou cumprindo
Quando ouvi aquela voz Que não era brincadeira Repiquei o meu berrante E nem sei de que maneira
Dei descanso pra boiada Ali por aquela beira E a lua foi surgindo Clareando a terra inteira
Naquela curva da estrada Na beira da capoeira Vi que ali tinha morrido O menino da porteira
("Naquele instante dramático No chão eu ajoelhei E praquele santo menino Ao Deus vivo eu implorei
Oh! meu querido menino Que Deus lhe dê muita luz Para proteger os peões Que levam a pesada cruz
Bem falou Jesus Cristo, o Nazareno Que a vida continua Na nova morada sua, menino Reze por nós a Jesus")
Hoje vivo recordando A visão daquele dia Quando vai anoitecendo Rezo pra Virgem Maria
E aquele anjo menino Que tão contente vivia Fechando e abrindo a porteira Pra boiada com alegria
No repique de berrante Na mais perfeita harmonia Sabendo que o bom menino A Deus ele pertencia
Compositores: Elias de Oliveira (Faisca) (SICAM), Valter Arlindo Drosinho (de Marinho) (SICAM)Editor: Gravadora Chororo (ABRAMUS)ECAD verificado obra #123319 em 10/Abr/2024 com dados da UBEM