É numa rua bizarra A casa da Mariquinhas Tem na sala uma guitarra Janelas com tabuinhas
Vive com muitas amigas Aquela de quem vos falo E não há maior regalo Que vida de raparigas; É doida pelas cantigas Como no campo a cigarra Se canta o fado à guitarra De comovida até chora A casa alegre onde mora É numa rua bizarra
Para se tornar notada Usa coisas esquisitas Muitas rendas, muitas fitas Lenços de cor variada; Pretendida, desejada Altiva como as rainhas Ri das muitas, coitadinhas Que a censuram rudemente Por verem cheia de gente A casa da Mariquinhas
É de aparência singela Mas muito mal mobilada No fundo não vale nada O tudo da casa dela; No vão de cada janela Sobre coluna, uma jarra Colchas de chita com barra Quadros de gosto magano Em vez de ter um piano Tem na sala uma guitarra
P'ra guardar o parco espólio Um cofre forte comprou E como o gaz acabou Ilumina-se a petróleo; Limpa as mobílias com óleo De amêndoa doce, e mesquinhas Passam defronte as vizinhas P'ra ver o que lá se passa Mas ela tem por pirraça Janelas com tabuínhas
Compositores: Alfredo Rodrigo Duarte (Alfredo Duarte) (SPA), Joao da Silva Tavares (SPA)ECAD verificado obra #587017 em 08/Abr/2024 com dados da UBEM