Não Uma palavra assim tão Curta quase um soluço Talvez a dissolução do que obstrui a passagem Do sangue pro coração Do que impede a viajem Do vento até o pulmão
Não Uma palavra pequena Mas muito mais obscena Do que qualquer palavrão Palavra chave de algema Já elimina o dilema Se vc diz "porque não"
Então Porque não dizer "não" Porque não Porque não dizer
Um grão que o corpo semeia Como uma infecção Pois o que a boca bloqueia Cresce demais no porão O silêncio incendeia No corpo do escorpião O veneno dentro da veia Para alimentar o ferrão
Não Uma palavra pequena Com uma sílaba apenas Mas ruje como um trovão Uma pequena blasfênea Que desamarra o problema Se a gente diz "porque não"
Então Porque não dizer "não" Porque não Porque não dizer
Palavra que não tem meio Já inicia no fim Como um reflexo no espelho Que seu sinônimo sim Dentro da boca, essa bomba Espera a sua explosão Enquanto engorda na sombra Para arrombar a prisão
Mas se ele vem a ser dito Vira uma afirmação Num balbucio ou num grito Desfaz a indecisão Desembaraça o conflito Que embaçava a visão A vida ganha sentido O pé recupera o chão
Desata o nó da gravata Tira a coleira do cão Faz da mentira sucata Que se recicla em ação O fogo vira fumaça Madeira vira carvão O muro se despedaça Não se disfarça mais não
Então porque não dizer "não" porque não porque não dizer
Compositor: Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho (Arnaldo Antunes) (UBC)Editor: Rc (UBC)Administração: Pommelo Distribuicoes (UBC)ECAD verificado obra #9270599 em 13/Abr/2024 com dados da UBEM